23 de agosto de 2007

Estados de ánimo

Unas veces me siento como pobre colina
y otras como montaña de cumbres repetidas.
Unas veces me siento como un acantilado
y en otras como un cielo azul pero lejano.

A veces uno es manantial entre rocas
y otras veces un árbol con las últimas hojas.
Pero hoy me siento apenas como laguna insomne
con un embarcadero ya sin embarcaciones
una laguna verde inmóvil y paciente
conforme con sus algas, sus musgos y sus peces,
sereno en mi confianza
confiando en que una tarde
te acerques y te mires,
te mires al mirarme.


Mario Benedetti



Atalhos

Quanto tempo a gente perde na vida? Se somarmos todos os minutos jogados fora, perdemos anos inteiros. Sim, depois de nascer, a gente demora pra falar, demora pra caminhar, etc.
E aí mais tarde demora pra entender certas coisas. Demora,também, pra dar o braço a torcer. Viramos adolescentes (aborrecentes) teimosos e dramáticos. E levamos um século para aceitar o fim de uma relação. E outro século para abrir a guarda para um novo amor.
Quando, já adultos, demoramos para dizer a alguém o que sentimos. Demoramos para perdoar um amigo. E demoramos para tomar uma decisão.
Até que um dia a gente faz aniversário. 37 ou 41 anos. Talvez 50 e tal....
Uma idade qualquer que esteja no meio do trajeto. E só aí a gente descobre que o nosso tempo não pode continuar sendo desperdiçado.
Fazendo uma analogia com o futebol, é como se a gente estivesse com o jogo empatado, no segundo tempo, e ainda se desse ao luxo de atrasar a bola pro goleiro. Ou fazer tabelas desnecessárias. Quanto esbanjamento. E esquecemos que não falta muito pro jogo acabar...
Sim, é preciso encontrar logo o caminho do gol. Sem muita frescura, sem muito desgaste, sem muito discurso. Pois tudo o que a gente quer, depois de uma certa idade, é ir direto ao assunto. Excetuando-se no sexo, onde a rapidez não é louvada, pra todo o resto é melhor atalhar. E isso a gente só alcança com alguma vivência e maturidade.
Pessoas experientes já não cozinham em fogo brando. Não esperam sentadas, não ficam dando voltas e voltas. E não necessitam percorrer todos os estágios. Queimam etapas. Não desperdiçam mais nada.
Uma pessoa é sempre bruta com você? Não é obrigatório conviver com ela.
O cara está enrolando muito? Beije-o primeiro e veja se ele, realmente, interessa e transmite algum sentimento.
A resposta do emprego ainda não veio? Procure outro enquanto espera.
Paciência só para o que importa de verdade. Paciência para ver a tarde cair. Paciência para degustar um cálice de vinho. Paciência para a música e para os livros. Paciência para escutar um amigo. Paciência para aquilo que vale nossa dedicação.
Pra enrolação, um atalho. O maior possível!

Um texto de M. Medeiros que reflete exatamente o que sinto nesse momento.

20 de agosto de 2007

Existir, a que será que se destina?

Quando entra no ar a vinheta do Jornal Nacional, meu coração vai apertando porque sei que lá vem. Não me refiro às quedas na bolsa, à desvalorização do real ou às exigências do FMI, que tudo isso eu já vi. Refiro-me as conseqüências de um mundo hostil, predatório e tremendamente injusto, seja no Brasil, em Ruanda ou em qualquer outro lugar onde crianças passem fome, senhoras durmam em calçadas tentando matricular seus filhos ou aposentados morram em corredores de hospitais. Cada vez está mais difícil digerir a vida como ela é para a maioria.
As crianças que eu conheço estudam em escola particular, compram livros, vão ao cinema, tomam lanches, são sócias de um clube, possuem roupas coloridas, têm brinquedos, praticam esporte, vão à praia e, no primeiro sinal de doença, as mães telefonam para o médico e marcam consulta para o mesmo dia, tendo a seu dispor ar-condicionado e competência. Tudo caro. É o preço de poder ter um dia feliz entre duas noites de sono.As crianças que não conheço não têm nada disso, e quando forem adultas terão menos ainda, porque até a inocência irão perder. Nunca viram um hambúrguer, não sabem o gosto que a Fanta tem, dos picolés sentem o gosto apenas do palito, não têm leite de manhã e não têm molho para o macarrão que às vezes comem. Mascam chicletes usados, assim como seus pais fumam baganas encontradas no chão. Um estômago vazio entre duas noites de sono.

Para a maior parte das pessoas, o espaço que existe entre nascer e morrer não é ocupado. Não comem, e não comendo, não estudam, e não estudando, não trabalham, e não trabalhando, não existem. São fantasmas que não conseguem libertar-se do próprio corpo. Nós, enquanto isso, discutimos o novo disco da Alanis Morrisette, aplaudimos a chegada do Xenical, vemos as fotos do Morumbi Fashion, comemoramos o centenário de Hitchcock, comentamos o lançamento do novo Renault Clio, torcemos por Central do Brasil. Saímos para dançar, provamos comida árabe, andamos de banana boat, fazemos terapia e regamos girassóis. Fazemos interurbanos, jogamos no Toto Bola, compramos o batom que seduz os moços e a espuma de barbear que seduz as moças. Bem alimentados, instruídos e com um mínimo de saldo no banco, ocupamos o espaço entre o acordar e o adormecer. Quem não come, não sabe ler e não tem medicamento não ocupa espaço algum. Flutua no vácuo, respira por aparelhos, ignora a própria existência, só sabe que está vivo porque, de vez em quando, sofre um pouco mais que o normal. Porque o normal é sofrer bastante, mas não a ponto de não haver mais diferença entre nascer ou morrer.

10 de agosto de 2007

Já é madrugada e os pesadelos me assombram.
Ouço tua voz chamando meu nome.
E depois de tanto anos,
O sangue ainda queima em minhas veias
E as sensações tornam-se intoleráveis.
Em meio aos meus delírios, te encontro.
Desesperador enfrentar teus olhos,
Que penetram minha alma como lâminas afiadas.
Teus lábios deixaram um gosto amargo na minha boca.
E eu, que julgava já não te amar,
Depois de tanto tempo...
Maldito seja!
Porque retornaste das trevas para me assombrar?
Você não tinha este direito...
As falsas promessas sussurradas ao ouvido ainda ecoam dentro de mim.
Maldita paixão adormecida que se transforma em fogo,
E envenena minha alma.
Paixão que mantém as lembranças vivas.
Memórias de uma outra época, que já não pode ser vivida.
Época em que teu corpo esteve junto ao meu,
Compartilhando do meu calor, me fazendo tocar o céu.



Diante de mim desfalece um anjo.
Escute seus gritos através do meu silêncio.
Tive sua fragilidade em minhas mãos
E arranquei suas asas apenas por diversão.
Em seu corpo tatuei insultos.
Ainda vejo seu olhar congelado diante do mal
Diante da frieza do meu coração.
Não lutava, aceitava com resignação seu eminente fim.
Meu ódio perfurava seu peito como adagas.
Choravam os demais anjos.
Demônios perplexos diante de cruel demonstração.
Rosas adornam seu leito de morte.
Lânguida figura que agora contempla a eternidade.
Despeço-me do seu cadáver frio,
E o céu se tinge de negro.
Ainda sinto o gosto do teu sangue e me converto em fogo
Levarei entre meus cabelos seu angelical perfume.
E o anjo da morte agora voa livre
Buscando a outra frágil presa.
Não negue que ainda pensa em mim,
Mesmo eu sendo um insulto a sua aparente pureza
E a imagem de homem perfeito que construiu.
Não negue que minha presença te perturba, te seduz, te transforma.
É visível sua inquietação.
Não é verdade que acorda no meio da noite desejando ardentemente os meus beijos?
Que seu corpo estremece ao pensar na minha pele fria?
Não negue que faço parte das suas fantasias, das suas perversões,
E até dos seus mais secretos pesadelos,
Aqueles que te assombram, que não deveriam estar ali,
Mas que você não consegue esquecer...
Sou o seu vício, você luta, até tenta se abster,
Mas precisa de mim para dar um sentido a sua vida patética.
Porque tanto esforço?
Deixe sua alma se unir a minha,
Deixe seus instintos falarem mais alto
Deixe seu corpo encontrar a felicidade através do meu.
Apenas entregue-se a mim.

8 de agosto de 2007



Se tem coisas que não deveriam passar desapercebidas em nossas vidas, outras não deveriam nem existir. O que leva uma criatura a fazer um filme como Sangue e Chocolate? Sinceramente, não sei. Nem consegui terminar de assistir. Em primeiro lugar o filme se apresenta como terror. Engraçado é que em nenhum momento ele me amedrontou. Pelo contrário... que sono!
Sangue e Chocolate conta a história de Vivian, uma lobisomem que rejeita a própria natureza e se culpa pela morte de sua família. Vivendo numa Bucareste habitada por centenas daquelas criaturas, a moça está prestes a ser escolhida como a nova esposa do líder da matilha, Gabriel, mas acaba se apaixonando por um humano que, é claro, está justamente escrevendo sobre lobisomens.

Eu imagino uma reunião para falar sobre o filme:
Precisamos de um conteúdo que agrade homens e mulheres. O que acham de misturarmos Romeu e Julieta com vampiros, cenas de luta e adolescentes rebeldes? Não, não... vampiros de novo não. Precisamos inovar.

Claro! Romeu e Julieta versão lupinos! Ótimo! *clap, clap, clap*

Ok, ok, anote aí p/ não esquecermos: amor proibido, donzela prometida a um líder escroto (a moça nunca pode ser prometida para um gostosão, sensível, inteligente e carinhoso), grupo de adolescentes lupinos rebeldes sem nenhuma importância no enredo (sim, estão lá para participarem de lutas com efeitos especiais e agradarem ao público masculino), cenas óbvias e muita explicação (vai que o público é burro), afinal ninguém nem imagina que lobisomens morrem com prata.

Morri de rir numa cena em que Rafe (lupino) e Aiden (humano) lutam e adivinhe o que o pobre Aiden carrega no pescoço? Uma corrende de prata! *clap, clap, clap*

Bem, meus comentários sobre o filme param por aqui, já que nem assisti até o fim, mas não acho que depois de 60 minutos de exibição ele fosse melhorar ou me surpreender.

Se os lobos dominarem o mundo, me avisem.
Você está vivendo sua rotina apressada (como sempre) e nem se dá conta de detalhes que passam. E eles sempre passam. Esses "pequenos" detalhes podem ser uma boa música, um livro divertido, uma pessoa interessante.
Ontem algumas coisas não passaram despercebidas por aqui. Ouvi uma música bonitinha, fui atrás dos culpados, e encontrei The Weepies, uma banda básica, que me conquistou pela simplicidade e (aham!) belas melodias. Sim, titia Isa também gosta de melodias e romance.

The Weepies - World Spins Madly On

Woke up and wished that I was dead
With an aching in my head
I lay motionless in bed
I thought of you and where you'd gone
and let the world spin madly on
Everything that I said I'd do
Like make the world brand new
And take the time for you
I just got lost and slept right through the dawn
And the world spins madly on
I let the day go by
I always say goodbye
I watch the stars from my window sill
The whole world is moving and I'm standing still
Woke up and wished that I was dead
With an aching in my head
I lay motionless in bed
The night is here and the day is gone
And the world spins madly on
I thought of you and where you'd gone
And the world spins madly on.